Objeto 2 | Obra literária – Ensino Médio

Úrsula

Autora:
Maria Firmina dos Reis
Apresentação e organização:
Italo Mesquita
Editora:
Atlas EducacionalEditora parceira

Código do livro

0479.P26.02.03.000.000
Capa de Úrsula

Sinopse

Em 1859, uma mulher negra do Maranhão publicou um romance que o Brasil levou mais de um século para ouvir.

Numa estrada deserta do interior, um jovem cavaleiro cai do cavalo e fica ferido, sozinho e sem forças. Quem o socorre é Túlio, um homem escravizado que, mesmo sem ter a própria liberdade, não hesita em salvar a vida de um desconhecido. O cavaleiro é Tancredo. Ao ser levado para uma fazenda isolada, ele conhece Úrsula, uma moça delicada que cuida da mãe doente e carrega, no olhar, uma tristeza que ele não consegue decifrar.

Entre os dois nasce um amor intenso, feito de dores antigas e de esperança. Mas aquela fazenda guarda segredos. Nas matas ao redor e entre as paredes da casa, há quem observe, há quem deseje e há quem esteja disposto a tudo para conseguir o que quer.

E há também vozes que a literatura da época costumava calar. A de Túlio, que sonha com a liberdade. A de Mãe Susana, que ainda guarda na memória a África de onde foi arrancada. Com elas, Maria Firmina dos Reis transforma um romance de amor numa denúncia corajosa da escravidão.

Considerado o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira, Úrsula foi escrito pela primeira mulher negra a publicar um romance no país. É uma leitura emocionante, que fala de amor, injustiça, resistência e memória. Esta edição traz ainda uma apresentação, informações sobre a autora e um breve estudo da obra.

Capa do manual do professor de Úrsula

Para o professor

Manual digital do professor

Orientações para o trabalho com Úrsula em sala de aula.

Destaques da obra

Publicado em 1859, Úrsula é considerado o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira. Foi escrito por Maria Firmina dos Reis, a primeira mulher negra a publicar um romance no país. A história começa quando o jovem Tancredo, desiludido por uma dupla traição, sofre uma queda de cavalo e é socorrido por Túlio, um homem escravizado. Levado à fazenda de Luísa B., ele é cuidado por Úrsula, filha da proprietária, e entre os dois nasce um amor que logo será ameaçado pela chegada do comendador Fernando P., tio da jovem.

Inserido no romantismo, o romance traz paisagens bucólicas do Maranhão, amores idealizados e grande intensidade dramática, mas subverte esse modelo ao colocar a escravidão no centro da narrativa. Diferentemente do que era comum na época, os personagens negros têm nome, consciência e voz própria. É o caso de Túlio e da Preta Susana, que em um dos capítulos mais marcantes relata sua captura na África e a travessia no navio negreiro. Esta edição traz textos complementares que contextualizam a leitura: uma apresentação, uma biografia da autora e uma análise do enredo, com destaque para a articulação com a Lei 10.639/2003.

Com um desfecho que foge ao final feliz, a obra trabalha temas como amor, lealdade, injustiça, violência e resistência. Também denuncia o lugar imposto às mulheres e às pessoas escravizadas em uma sociedade patriarcal e escravocrata. É uma leitura que convida à reflexão sobre a formação social brasileira, as marcas da escravidão e a importância de recuperar vozes que por muito tempo foram apagadas da história e da literatura.

Temáticas

  • Escravidão e abolicionismo
  • Racismo e desumanização
  • Resistência, dignidade e liberdade
  • Diáspora africana e tráfico negreiro
  • Condição da mulher na sociedade patriarcal
  • Romantismo brasileiro (características e subversão do modelo)
  • Amor e idealização amorosa
  • Amizade e lealdade
  • Violência, poder e abuso de autoridade
  • Maternidade e laços afetivos
  • Autoria feminina negra, apagamento e cânone literário
  • Brasil Império e história da abolição
  • Natureza e paisagem brasileira (bucolismo)
  • História e cultura afro-brasileira (Lei 10.639/2003)

Autora

Foto de Maria Firmina dos Reis

Autora

Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis, nascida em 11 de março de 1822, em São Luís, Maranhão, foi uma escritora, professora primária e musicista. Sua obra mais conhecida, Úrsula, foi publicada em 1859 sob o pseudônimo de Uma Maranhense. Além de romances, ela também escreveu poemas e composições musicais, e em 1880 recebeu o título de mestra régia. Firmina dos Reis fundou uma escola mista em Maçaricó, enfrentando críticas da sociedade local, mas continuou lecionando após se aposentar. Ela faleceu em 11 de novembro de 1917, vivendo em condições de pobreza e cegueira. Sua obra foi esquecida até 1962, quando o historiador Horácio de Almeida a resgatou e, desde então, a escritora vem sendo reconhecida e integrada ao cânone literário brasileiro.

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